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quinta-feira, 12 de junho de 2014

Alienação do futebol?

Passa o tempo, e a gente é obrigado a mudar de perspectiva.
Dor (de paixão mesmo) por algo, daquela de doer o peito. Uma emoção que ao mesmo tempo mescla raiva, tensão e alegria espontânea, que promove a união de povos e a desunião deles também. Em resumo, sentimentos espontâneos.
A cada dia me convenço mais de que não é apropriado tratar fenômenos que mechem com o imaginário de um número incontável de pessoas apenas como um projeto de dominação sobre uma “massa” supostamente alienada que não sabe fazer outra coisa que não vibrar e cantar por algo “fútil”.
O que seria "futilidade"? Parece simples de definir, mas é uma segurança enganosa. Em suma, a designação do que é fútil, leviano, sem serventia é tão subjetiva e difícil de definir quanto medir o quanto somos fúteis ou úteis na maior parte do nosso tempo; Futilidade é não pensar em trabalho assalariado o tempo todo? É não se manifestar agressivamente contra os males? é não fazer caridade? Bom, dentre o infinito de possibilidades, parece realmente difícil definir.
Quer dizer, o quanto do nosso tempo dispensamos em fazer – ou não - estas coisas e as outras mil? Dependendo de nossa autocrítica, percebemos que a grande maioria do tempo (se não toda) estamos pensando e agindo movidos por futilidades – ou pelo menos uma “futilidade” nos termos de alguma outra pessoa.
Acho legítimo não gostar do futebol ou não ver vantagem nisso, pois é direito de cada um. Mas exigir que os amantes desse esporte mantenham uma coerência existencial quando nem nós mesmos a possuímos o tempo inteiro, baseando-se em conceitos de futilidade, é muito complicado.
Tão complicado que, a nível individual, lembra muito aquela velha mania que todos nós temos de ir pelo caminho mais fácil. Qual é esse caminho? Esguichar sobre o(s) outro(s) aquilo que para nós é apropriado, iluminado, glorioso, justo e consciente. Ao mesmo tempo que, na maioria das vezes, estamos olhando mais para nós mesmos do que para o mundo à nossa volta.